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sábado, outubro 18, 2003

Já não usamos astrolábios 

Desde a antiguidade o homem sempre manifestou uma tendência natural para olhar as estrelas, claro que em cima das árvores e nas cavernas devia ser a única distracção nocturna que tinham acesso (a televisão não lhes causava miopia intelectual), chegaram até aos nossos dias os observatórios milenares de Stonehenge e múltiplos zigurats o que demonstra que outra das mais velhas profissões do mundo era a astronomia. Temos a noção que Nicolau Copérnico nos deu a liberdade de orbitarmos em torno do Sol e no entanto um astrónomo árabe Al Biruni cerca do ano 1000 DC publicou uma incrível enciclopédia astronómica e propôs que se devia considerar como verdadeiro o movimento da Terra em torno do Sol, porque explicava com simplicidade e exactidão o movimento dos demais astros do firmamento, o mito ptolemaico não impediu este cientista do passado de perscrutar a verdade e só quinhentos anos depois a revolução coperniciana floresceu no jardim renascentista.

Quantas vezes a verdade é difundida na voz de um homem e acaba por se perder na multidão.

Quando olho para um astrolábio fico siderado com a inteligência humana que afinal de contas ainda não tinha inventado o cálculo diferencial, mas conseguia calcular distâncias de outros mundos solares.

Já não temos astrolábios em cima das secretárias de trabalho, temos acesso directo ao site da NASA, ao SETI e o Hubble alimenta a nossa curiosidade cósmica, mas precisamos de continuar a sonhar com as estrelas e com viagens extraplanetárias.

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