terça-feira, janeiro 06, 2004
O bacilo literário
A tuberculose foi durante séculos o flagelo misterioso que assolava a sociedade humana. O mito da tísica associada à melancolia tornou possível o romantismo mórbido da literatura do século XVIII e do XIX, era chic ser-se pálido e usar lenços perfumados e raiados de sangue; as pessoas eram flores ceifadas por uma consumpção e ficavam vidas por viver.
Laennec, enquanto não foi dizimado pela tísica aos 35 anos, teve tempo para definir a classificação anatomopatológica da tuberculose, inventar o estetoscópio e estabelecer a ligação entre os sons ouvidos e as lesões pulmonares.
Em Dezembro de 1865 na Academia de Medicina de Paris, o Sr. Villemin relatou os resultados das suas experiências com tecidos humanos e bovinos tuberculizados e injectados em coelhos e cobaias que lhe permitia deduzir que a tuberculose era uma infecção específica transmitida por um agente subtil, a sua dissertação foi ignorada e chegou a ser insultado pela sua ousadia de retirar a hereditariedade do historial da doença. Porém despertou outras consciências médicas, em 1882 o Sr. Hock isolou o bacilo responsável pela tuberculose - bacilo de Kock- e assim o mistério da tísica desapareceu da glamour literária.
As bactérias podem tornar-se patogénicas nos corpos humanos, numa espécie de luta pela sobrevivência, recorrendo a mutações e arremessando armas de resistência lutam pelo território que invadem e pelos recursos que encontram. A pouco e pouco a inteligência humana consegue debelar diversas infecções com o recurso à antibioterapia, à vacinação, a medidas de higiene e prevenção social... Mas a guerra é incessante, o tabagismo coloca outros problemas ao aparelho respiratório e muitas vezes a caquexia é o fim de um cancro pulmonar; embora a tuberculose grasse nas comunidades pobres e nos indivíduos imunodeprimidos já não faz parte dos dramas das novelas diárias das televisões globais.
Não sou gato almiscarado, logo não tenho que ser abatido porque a SARS e a China são pesadelos do Oriente. Não ando tísico porque não tenho comportamentos de risco, mas sinto-me invadido por uma nostalgia de Janeiro!
Laennec, enquanto não foi dizimado pela tísica aos 35 anos, teve tempo para definir a classificação anatomopatológica da tuberculose, inventar o estetoscópio e estabelecer a ligação entre os sons ouvidos e as lesões pulmonares.
Em Dezembro de 1865 na Academia de Medicina de Paris, o Sr. Villemin relatou os resultados das suas experiências com tecidos humanos e bovinos tuberculizados e injectados em coelhos e cobaias que lhe permitia deduzir que a tuberculose era uma infecção específica transmitida por um agente subtil, a sua dissertação foi ignorada e chegou a ser insultado pela sua ousadia de retirar a hereditariedade do historial da doença. Porém despertou outras consciências médicas, em 1882 o Sr. Hock isolou o bacilo responsável pela tuberculose - bacilo de Kock- e assim o mistério da tísica desapareceu da glamour literária.
As bactérias podem tornar-se patogénicas nos corpos humanos, numa espécie de luta pela sobrevivência, recorrendo a mutações e arremessando armas de resistência lutam pelo território que invadem e pelos recursos que encontram. A pouco e pouco a inteligência humana consegue debelar diversas infecções com o recurso à antibioterapia, à vacinação, a medidas de higiene e prevenção social... Mas a guerra é incessante, o tabagismo coloca outros problemas ao aparelho respiratório e muitas vezes a caquexia é o fim de um cancro pulmonar; embora a tuberculose grasse nas comunidades pobres e nos indivíduos imunodeprimidos já não faz parte dos dramas das novelas diárias das televisões globais.
Não sou gato almiscarado, logo não tenho que ser abatido porque a SARS e a China são pesadelos do Oriente. Não ando tísico porque não tenho comportamentos de risco, mas sinto-me invadido por uma nostalgia de Janeiro!
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