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terça-feira, fevereiro 17, 2004

A hipocrisia das gónadas sociais 

O gato binário andou a pintar as paredes do meu blog, porque estava a precisar de um pouco de azul no meu canto blogosférico, a mudança faz parte das necessidades humanas e inumanas.

Enquanto John Kerry se prepara para mais uma vitória no Wisconsin e os Ufos continuam a fazer de Wisconsin um local de expectativas aliens, em San Francisco 2500 casamentos com casais do mesmo sexo torna inevitável uma realidade que a sociedade tem de enfrentar sem tabus, nem dedos apontados; cada ser humano deve ser livre de viver a sua intimidade do jeito que lhe apetece. O sistema límbico, a hipófise e as gónadas fazem parte do corpo físico mas a génese da felicidade está algures entre o córtex frontal e o hipocampo, logo a busca de momentos partilhados deve estar associada à liberdade do Ser.

A hipocrisia continua a vigorar nos meandros dos tabus da nossa sociedade, a absolvição dos arguidos no julgamento de prática de aborto em Aveiro (mulheres e médico) acusados de crime de aborto é uma anedota de mau gosto, porque colocar no banco dos réus mulheres que tiveram que recorrer à cessação da gestação é algo tão deprimente e obsoleto que fico sem palavras, deveras curiosa a posição do ministério público que pedia a condenação das mulheres, médico e a absolvição dos companheiros das mulheres, é absurdo o que se passa no submundo da justiça acusar mulheres e absolver os companheiros, atirar a responsabilidade de uma decisão dolorosa, traumática para cima dos costados das fêmeas e ilibar os machos é um atentado às leis da racionalidade, da sexualidade.

A liberdade de decidir isto ou aquilo num dado momento de uma gestação indesejada deve ser um acto único de reflexão e decisão dos intervenientes do jogo procriativo, não devem ser as leis, os preconceitos sociais, religiosos que devem proibir o terminus de uma gestação mas a consciência individual dos portadores dos gâmetas que iniciaram a fecundação.

Cada um fica a sós com a sua consciência e não vale a pena atirar pedras porque é fácil falar de eventos, o pior é vivê-los, estima-se que em Portugal se efectuem 30 000 abortos por ano na condição de clandestinidade. Os anos passam e continua a vigorar a politica da avestruz, de vez em quando fala-se na "coisa" mas as mulheres continuam a sofrer na pele a descriminação, a fragilidade, a solidão de terem de tomar decisões que decerto vão ficar vivas para sempre na sua memória. Não devemos esquecer que as fecundações resultam de momentos partilhados por uma mulher e um homem.

Neste mundo demasiado humano vivem milhões de crianças num absoluto desamor e no entanto quase ninguém se lembra que elas foram em tempos apenas embriões, acho que devemos limitar as nossas acusações e tentar amar gratuitamente todas as criaturas.

Hum se eu não fosse ateu talvez me deixasse seduzir pelo budismo!

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