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terça-feira, março 16, 2004

Culturas intensivas 

Alimentação biológica é quase um modo de comer extinto, porque o uso e abuso de pesticidas, herbicidas, hormonas, antibióticos, inseminações artificiais, e hibridações artificiais modificou por completo o modo de engolir os manjares do dia a dia, comemos com os olhos e as moléculas que deliciosamente engolimos não nos incomodam, pelo menos até ao momento em que não estamos diante de problemas gastrointestinais; por vezes gostava de ser vegetariano mas não resisto à gastronomia vulgar, gostava de o ser pela simples razão que me incomoda a forma como os animais são usados e abusados para saciarem as nossas necessidades calóricas, os animais são vítimas de stress e violência, porque vivem em agregados superlotados, condicionados, empanturrados e sem direito a serem animais como outrora.

Enquanto nós saboreamos os ovos e o bacon outras pobres criaturas pagam o preço da sua condição genética, é incrível que uma galinha de exploração intensiva seja forçada a pôr cerca de 285 ovos ao ano enquanto as galinhas de outro tempo que debicavam o que podiam nos quintais debitavam 180 ovos ao ano; ora numa sociedade em que a produtividade é um factor de crescimento económico o rendimento das galinhas tem que acrescentar mais um ovo, mais um esforço, mais uma gema!

Uma tentativa de retorno aos bons costumes é a agricultura biológica, embora os preços dos produtos bio sejam exagerados e exista a possibilidade de micotoxinas invadirem os alimentos, é uma forma de intervir no mercado alimentar com a alternativa de remediar os excessos de lucro imediato da agricultura intensiva.

Espero que os nutricionistas, os bioquímicos e biólogos encontrem uma solução ecológica para alimentarem as prováveis 9 biliões de bocas humanas no ano 2050, entretanto vou jantar e as vacas que me perdoem porque a minha cultura é digestiva.

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