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quarta-feira, março 17, 2004

Marcas e símbolos 

Mais um drama explosivo no Iraque, tempestade de fogo e fumo no hotel Mount Lebanon, o carro bomba fez uma cratera de 7 metros na rua e levou dezenas de pessoas para o mundo do silêncio; não entendo as marcas do terror nos rostos dos sobreviventes porque a dor é excruciante e a tristeza não invade o coração dos senhores do mundo. As marcas da nossa identidade perdida são formas de linguagem ancestral ou símbolos de proto-comunicação, digo isto porque nas grutas de Kozarnika (Bulgária) foram encontrados pelo menos 16 ossos de animais com marcas rectilíneas (não eram o resultado de lacerações, nem remoções dos tecidos comestíveis dos animais) alguns tinham 27 marcas num encadeado de posições que pode ter sido o início da arte humana, numa forma rudimentar de linguagem com uso de símbolos feita com a mão dos precursores do Homo sapiens de 1,4 - 1,2 milhões de anos atrás ( os arqueólogos usaram a datação paleomagnética), afinal de contas os proto-humanos inventaram a arte, os símbolos rodeiam-nos os sentidos e até edificamos a ética, a religião através de uma simbologia conveniente ou inconveniente consoante a vontade do usuário.

Não tenho a menor dúvida que a evolução fez eclodir uma miríade de símbolos, mas as chamas de fogo originadas em qualquer explosão são vividas com assombro e indignação, são marcas verticais na alvorada do milénio que os sociólogos devem datar cuidadosamente como acidentes da expressão humana.

Talvez o sucessor do Homo sapiens invente formas plasmáticas de violência virtual numa sala holográfica e aí o eu racional ficará saciado na sua irracionalidade, enquanto a arte do belo e do desejo será usada pelo eu da criatividade e das suposições num mundo real e menos cruel.

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